Perna pra que te quero

A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e a Organização Internacional para a Padronização (IOS) querem que você saiba exatamente quando passar sebo nas canelas. Agora o símbolo de perigo radioativo ganhou uma caveira e uma pessoa correndo, além do conhecido sinal de radiação.

O novo grafismo é resultado de estudo de cinco anos, em onze países ao redor do mundo. O objetivo: desenvolver sinalização capaz de fazer pessoas fugirem de medo, independentemente da nacionalidade ou nível de educação. O grupo de teste incluiu 1.650 indivíduos.

O símbolo será usado para identificar fontes perigosas de radiação tais como irradiadores de alimentos, equipamentos de teleterapia para o tratamento do câncer e unidades radiológicas industriais. Não aparecerá em condições normais de uso mas será visto se alguém tentar desmontar um aparelho que contenha materiais radioativos.

Portanto, se você encontrar este símbolo por aí, CORRA!

Baixaria nas alturas

O ator inglês Ralph Fiennes, de 44 anos, (A lista de schindler, O jardineiro fiel, O paciente inglês) se viu no meio de uma baixaria... nas alturas. No dia 24 de janeiro passado ele viajou da Austrália para a Índia, um longo vôo pela Qantas, de número QF123, assento 2K, classe executiva. Lá pelas tantas, ele e a aeromoça - ops, comissária de vôo, Lisa Robertson, uma australiana de 38 anos e ex-policial, batem um papo, rola um clima, a coisa esquenta. Para encurtar, a história acaba no toalete do avião. Aquele apertadinho, com porta sanfonada. Só com muito feromônio, mesmo. Discretamente, ele sai primeiro. Depois de alguns instantes, ela também deixa o cubículo. Até aí, nada além de uma historinha digna dos anais do "mile-high club" (grupo de pessoas que já fizeram sexo em avião). Talvez um dia ela contasse a façanha para suas amigas. Ele provavelmente teria esquecido o episódio antes mesmo de carimbar o passaporte na chegada.

Acontece que colegas da sortuda atendente de bordo supostamente viram-na sair do tal toalete, depois do Romeu. E os "colegas" não pediram autógrafo do artista famoso nem se ofereceram para dá-lhe o mesmo "tratamento" nem mesmo pediram para a sortuda matar a curiosidade - "Ele transa legal?", "É bonito?" ou o que quer que as mulheres perguntem... Os infelizes denunciaram o ocorrido à companhia. Entregaram. Delataram. Alcagüetaram. Cabuetaram. Dedaram (isso, talvez, não). Enfim, Lisa foi suspensa e pode perder o emprego. Ralph vai bem, obrigado. Que baixaria!

Fera que vive de vento

Esta é uma ilustração do Frei André Thevet (1502-1590), entitulada "Fera que vive de vento". O franciscano participou da excursão de Villegagnon ao Brasil e muitos historiadores atribuem a ele (e não a Jean Nicot) a introdução do fumo na Europa. As sementes teriam sido levadas de Pindorama por ele mesmo, que reportava efeitos medicinais da aspiração da fumaça das folhas. Não sei se havia alguma coisa além de tabaco no "tratamento", mas tinha que se ter muita fumaça nas idéias para chegar num bicho desses.

Viver de vento não é fácil.

A mesma dificuldade passa o portal "Domínio Público", uma iniciativa do MEC de montar acervo de arquivos multimídias (imagens, sons, filmes, livros) de obras com divulgação autorizada para o público. Aparentemente, se o número de visitas não aumentar (leia-se: se não houver interesse por parte da população cibernavegante), o "site" será desativado. Agora pense: onde mais se pode ter acesso livre e grátis a mais de 700 obras da literatura portuguesa? Palestras, documentários? Ilustrações como essa do tema? É absurda a desativação do portal ainda em sua infância. Não se pode perder a oportunidade de divulgá-lo.

Fogo no circo

Quando eu era moleque, durante o regime militar, havia um xingamento que era a pior coisa de que se podia chamar alguém. Pior do que invocar qualidades íntimas de genitoras ou sugerir cavidades anatômicas para a inserção de objetos. Muito pior. Isso porque além do insulto, havia o medo de ser preso, levado embora, sumido. Afinal, a suspeita havia sido levantada. E a família já era automaticamente incluída. Ser chamado de "subversivo" era realmente o fim da picada. "Aquele moleque é um subversivo!", "Mais um subversivo foi preso ontem à noite...", "Meu Deus, isso só pode ser coisa de gente subversiva!". 

Na época, a preocupação do regime quanto a atividades subversivas era bem fundada. A subversão gera a desestabilização, que enfraquece as estruturas do estado. Expõe as fraquezas. Destrói a confiança e a tranqülidade. As grandes potências mundiais sabem muito bem disso e usam-na estrategicamente em maior escala, em diversas regiões do globo, para facilitar o controle político ou dominar mercados.

Veja o caso do Oriente Médio: vocês se lembram de como eram vilanizados os xiitas até pouco tempo? "Radicais suicidas", "fanáticos religiosos", "extremistas capazes de qualquer coisa", "assassinos bárbaros", e por aí a fora. Badaladíssimos nos noticiários da TV de todo o mundo (ocidental, bem entendido), "xiita" virou xingamento também. Eram os alvos preferidos do ódio americano.

Acontece que Saddam Hussein, ditador do Iraque, era sunita (minoria religiosa em seu país) e tratava os xiitas com mão de ferro, tão duramente quanto os curdos. Que são, aliás, uma etnia, querem mais é distância da briga e reivindicam independência para seu povo. Enfim -- Depois que o governo americano mandou invadir aquele país sob o pretexto de neutralizar um suposto arsenal de armas de destruição em massa e depôs seu ditador, colocaram no poder justamente... os xiitas.

Os antigos inimigos agora viraram amiguinhos? Não tão depressa: os xiitas iraquianos estão fragilizados, mas este não é o caso da maioria xiita do Irã - o Grande Inimigo Da Vez - e a ordem é desestabilizar, lembra? Então: para que fracasso maior do que o tal "processo de democratização" do Iraque, incentivado pelo tio Sam mas conduzido pelas novas autoridades xiitas iraquianas? E como perder a oportunidade de deixar os xiitas executarem o Saddam justo no primeiro dia do feriado sagrado de Eid Al-Adha, de sacrifício para os mulçumanos, quando a "ovelha é imolada e sua carne é dada aos famintos, quando se dá dinheiro aos pobres e brinquedos às crianças"?

Enquanto isso, na Palestina, onde Saddam Hussein ainda é lembrado como alguém que lutou contra Israel e venceu, o Irã dos xiitas é visto como quase tão culpado pela execução do ex-ditador quanto os americanos.

Isso é que é ser subversivo.

Oh... é verde!

Na Sicília da Idade Média diz-se que havia o costume de pintar de verde o pênis do noivo, antes da lua-de-mel. Se a noivinha mostrasse surpresa ao defrontar-se com a obra de arte durante o primeiro momento íntimo, era motivo bastante para o nubente cancelar o casamento. Significaria que sua parceira já teria visto um membro... desbotado antes e, portanto, não seria mais pura e casta. Não sei por que essa tal de pureza e castidade atrai alguns homens até hoje. Enfim...

Por falar em coisas verdes e estranhas, os cientistas de Taiwan recentemente conseguiram criar leitões transgênicos totalmente flourescentes. Verde, mesmo, daqueles que brilham no escuro. Pegaram material genético de águas-vivas e injetaram nos embriões suínos. Até aí, nada de novo: só mais uma esquisitice asiática. Mas fiquei intrigado: Porque alguém iria querer produzir porquinhos que brilham no escuro? Se fosse, pelo menos, fluorescência peniana, até poderia entender que seria divertido. Mas um porco?

A razão, depois soube, não é a baixaria que pensei de início. Trata-se de parte da pesquisa com células-tronco. Como o porquinho "fashion" brilha por inteiro, as células-tronco tiradas dele também apresentam a mesma característica. Assim, fica mais fácil para os pesquisadores acompanhar a evolução daquelas células depois que são injetadas em outras cobaias sem a mesma resplandescência.

Ah... antes que esqueça: os nomes daqueles outros três porquinhos são Prático, Heitor e Horácio.

Toro!

Acredite, se quiser: 94% das notas de euro da Espanha têm traços de cocaína. Pelo menos é o que revela o estudo realizado pelos laboratórios Sailab, publicado no jornal El Mundo no dia 24 de dezembro. As notas foram coletadas em escolas, farmácias e em supermercados. A Espanha é um dos países que mais consomem a droga no mundo. O preço da coca lá é cerca de 60 euros o grama, o que a torna acessível a um número crescente de consumidores. Segundo o estudo, 1,6% dos espanhóis são usuários do pó. Já não fazem mais touradas como antigamente.

Erva de um passado distante

Hoje em dia não é mais espantoso encontrar múmias bem preservadas em escavações arqueológicas. De fato, uma múmia nem faz mais tanto sucesso quanto fazia no início do século passado. Veja o caso de Turpan, no noroeste da província de Xinjiang, na China. Lá, em 2003, foi descoberto um aglomerado de 2.000 tumbas, com cerca de 600 múmias, da época da dinastia Tang (618 - 907). Isso mesmo, no atacado.

A novidade é que os cientistas estão intrigados com uma delas, de um homem de cerca de 45 anos cuja morte ocorreu há 2.800 anos - muito anterior às demais. Os chineses estão tentando entender, também, o por quê dos traços caucasianos - pele branca, nariz de romano, olhos fundos... e junto ao corpo, um saquinho com folhas de maconha! Apesar da idade, a múmia está intacta e suas roupas também. Quer mais? Urumqi, a capital da província, está localizada no coração da antiga "rota da seda", e é o centro islâmico da China, com dezenas de mesquitas espalhadas pela cidade. Cartazes e placas informativas são escritos até hoje em Chinês e em Uyghur, uma língua que usa a grafia árabe desde o século X.

In memoriam pater meum

Wagner Menezes (1935-2006)

"A terra, mãe das árvores e das flores, recebe o teu corpo mas teu cérebro não será cinza, será luz; teu coração não será pó, será árvore que agasalha. Tu, que viveste repartindo bondade, infinitamente repartindo, viverás nas folhas, nas flores, nos ventos, nas saudades. Não morre quem nos outros vive; não morre quem nos vivos vive." -W. Berardinelli (1903-1956)

Blog, interrompido


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A pequena morte

Os franceses o chamam de "la petite mort". Um instante, no clímax do orgasmo, quando a pessoa desfalece por alguns segundos. É mais freqüente nas mulheres do que nos homens - embora não seja comum em nenhum dos dois. Antigamente acreditava-se que era causa de óbito: sexo demais podia matar as pessoas. Bandeira vitoriana, moralista, com certeza. Naquela época, era moda se preocupar muito com os "fluidos corpóreos" - ou com o desperdício deles. Provavelmente influenciados por Galeno, um médico grego da antigüidade que dizia haver quatro fluidos ou humores do corpo, associados aos quatro elementos da natureza: fleumático (água), sanguíneo (ar), colérico (fogo), melancólico (terra). As doenças dos seres vivos derivariam de um desequilíbrio entre esses fluidos. A ejaculação freqüente, entre outras coisas, comprometia o equilíbrio e a pessoa adoecia, podendo chegar à morte. Êita! - Bom, era o que pensavam. Bem como o surtado Gen. Jack D. Ripper, de "Dr. Strangelove", uma das obras-primas de Kubrik.

Entra em cena o "Beautiful Agony": um site dedicado à beleza do orgasmo humano (sic). Pode ser uma experiência muito erótica -- embora a única nudez exibida seja do pescoço para cima. Os "contribuintes" filmam-se tendo orgasmos e põem seus filminhos no site, para o deleite dos "associados". Segundo o dono do serviço, "não sabemos o que estão fazendo, nem como. Mas sabemos que é real e muito sexy". Pelo jeito, ninguém está mais preocupado com a quantidade de fluidos corpóreos derramada por aí.

Ah... isso é coisa de inglês. E sim, tem amostras grátis.